Allan Kardec Cepa

Opinião
Espírita

Todos os dias estais expostos a empreender a maior, a mais importante das viagens, aquela que deveis fazer inevitavelmente; e, no entanto, não pensais nisto mais do que se tivésseis de viver para sempre na Terra! (O Espírito de Verdade)

O Falso São Luís

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Comunicações Diversas:

1o Leitura da comunicação seguinte, recebida em sessão particular, a propósito dos trabalhos da última sessão, pela Sra. S..., médium.

P. Por que São Luís não se comunicou sexta-feira passada pelo Sr. Didier, e deixou que falasse um espírito enganador?
Resp. - São Luís estava presente, mas não quis falar. Aliás, não reconhecestes que não era ele? É o essencial. Não fostes enganados, desde que vos destes conta da impostura.

P. Com que objetivo ele não quis falar?
Resp. - Podeis perguntar a ele mesmo. Está aqui.

P. São Luís poderia esclarecer o motivo de sua abstenção?
Resp. - Ficastes contrariado com o que aconteceu; entretanto, deveis saber que nada acontece sem motivo. Muitas vezes há coisas, cujo objetivo não compreendeis, que a princípio parecem más, porque sois muito impacientes, mas cuja sabedoria mais tarde reconhecereis. Ficai, pois, tranquilos e não vos inquieteis por nada; sabemos distinguir os que são sinceros e velamos por eles.

P. Se foi uma lição que quisestes nos dar, eu a compreenderia, quando estamos entre nós; mas em presença de estranhos, que poderiam ficar mal impressionados, parece que o mal sobrepuja o bem.
Resp. - Laborais em erro, vendo as coisas assim. O mal não consiste naquilo em que acreditais, e eu vos asseguro que houve pessoas aos olhos das quais essa espécie de revés foi uma prova da boa-fé de vossa parte. Aliás, do mal muitas vezes resulta o bem. Quando vedes um jardineiro cortar os belos ramos de uma árvore, deplorais a perda da verdura, e isso vos parece um mal; porém, uma vez suprimidos esses ramos parasitas, os frutos são mais belos e saborosos: eis o bem, e então achais que o jardineiro foi mais sábio e mais prudente do que supúnheis. Do mesmo modo, se se amputa o membro de um doente, a perda do membro é um mal, mas, após a amputação, se fica melhor, eis o bem, porque talvez lhe tenham salvo a vida.
Refleti bem nisto e havereis de compreender.

P. É muito justo. Mas como se explica que, apelando aos bons Espíritos e lhes pedindo que afastem os impostores, o apelo não seja atendido?
Resp. - É atendido, não o duvideis. Mas estais bem seguros de que o apelo procede do fundo do coração de todos os assistentes, ou que não haja alguém que, por um pensamento pouco caridoso ou malévolo, ou pelo desejo, atraia para o meio de vós os maus Espíritos? Eis por que vos dizemos incessantemente: Sede unidos; sede bons e benevolentes uns para com os outros. Disse Jesus: "Quando estiverdes reunidos em meu nome, estarei entre vós". Acreditais, por isso, que basta pronunciar o seu nome? Não o penseis e convencei-vos de que Jesus não vai senão aonde é chamado pelos corações puros; aos que praticam os seus preceitos, porquanto esses estão verdadeiramente reunidos em seu nome. Não vai aos orgulhosos, nem aos ambiciosos, nem aos hipócritas, nem aos que falam mal do próximo. Foi a eles que Jesus se referiu: "Não entrarão no reino dos céus".

P. Compreendo que os bons Espíritos se afastem dos que não lhes ouvem os conselhos; mas se, entre os assistentes, há mal intencionados, é isto uma razão para punir os outros?
Resp. - Admiro-me de vossa insistência. Parece que me expliquei com muita clareza para quem queira compreender. É preciso repetir que não vos deveis preocupar com tais coisas, que são puerilidades junto ao grande edifício da doutrina, que se ergue? Acreditais que vossa casa vai cair porque se desprende uma telha? Duvidais do nosso poder, de nossa benevolência? Não? Pois bem! deixai-nos então agir e ficai certos de que todo pensamento, bom ou mau, tem seu eco no seio do Eterno.

P. Nada dissestes a respeito da invocação geral que fazemos no começo de cada sessão. Podeis dizer o que pensais?
Resp. - Deveis sempre apelar aos bons Espíritos; a forma, bem o sabeis, é insignificante: o pensamento é tudo. Admirai-vos do que se passou; mas examinastes bem o rosto dos que vos escutavam quando fazíeis essa invocação? Não percebestes, mais de uma vez, o sorriso de sarcasmo em certos lábios? Que Espíritos pensais que tragam essas pessoas? Espíritos que, como elas, se riem das coisas mais sagradas. É por isso que vos digo para não admitirdes o primeiro que vier, evitando os curiosos e os que não vêm para se instruírem. Cada coisa virá a seu tempo e ninguém pode prejulgar os desígnios de Deus. Em verdade vos digo que aqueles que hoje sorriem destas coisas não rirão por muito tempo.

São Luís

Allan Kardec

Fonte: Revista Espírita jun/1860 - Boletim da Sociedade parisiense de Estudos Espíritas - Sexta-Feira, 18 de maio de 1860 - Sessão particular, 1a comunicação - págs. 247 a 250 - tradução de Evandro Noleto Bezerra - Editora: FEB.

Nota: O Título aqui usado não consta da obra original.


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