Nota do Editor: Nas décadas de 1850 e 1860 os espíritos anunciaram: "Os tempos marcados por Deus são chegados, ... nos quais grandes acontecimentos vão realizar-se para a regeneração da Humanidade.", "...reboará o trovão. Sede firmes!", "o mundo terreno vai elevar-se na hierarquia dos mundos." Algumas dessas comunicações nunca foram publicadas por Allan Kardec em vida, sendo isso feito
pelos seus sucessores, 21 anos após a sua morte,
com a publicação do livro Obras Póstumas, em 1890. Assim como é difícil precisar o momento exato de um anoitecer ou de um amanhecer, também é difícil precisar uma data exata para o início e o fim desses acontecimentos previstos. Mas pensamos que podemos arriscar, ao menos simbolicamente, marcar o início da "tempestade anunciada" no ano de 1914, com
a explosão da Primeira Guerra Mundial, passando pelo seu período mais negro durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945, onde morriam assassinadas, em
média, mais de 23000 pessoas por dia nos seis anos que perdurou a guerra, e poderíamos igualmente arriscar (quem sabe precipitação nossa?) marcar o seu fim na reunificação do mundo após a queda
do Muro de Berlim, em 1989, e o consequente fim da União Soviética, pacificamente, num dia de Natal de 1991. Não estamos querendo dizer com isso que já vivemos o paraíso na Terra, longe disso, mas as disposições morais da Humanidade
se modificaram já sensivelmente.
Hoje, mesmo quando há guerras, toma-se geralmente o cuidado em preservar a população civil (há exceções), a crueldade foi proibida e quando eventualmente ocorre,
é punida como crimes contra a humanidade (relembrem do caso, por exemplo, dos prisioneiros iraquianos sendo maltratados por
soldados americanos, que foram imediatamente punidos), e vários
outros avanços decorrentes da reforma das instituições. Dizemos, portanto, que a tempestade passou,
mas que ainda resta uma chuva fina e que esperamos não se demore a dispersar.
Seguem abaixo, portanto, algumas dessas comunicações que falam, entre outras coisas, desse período negro porque passaria a Humanidade,
que também já haviam sido previstos nos Evangelhos e pelos profetas antigos (ver notas no final do texto) e que representariam um divisor de águas entre o "Velho Mundo", que acaba, e o "Novo Mundo", melhor e mais justo, onde o bem predomina, que neste momento se levanta. [1]
Acontecimentos
(Em casa do Sr. Roustan; médium: Srta. Japhet)
7 de maio de 1856
(Obras Póstumas - Minha primeira iniciação no Espiritismo)
Pergunta (a Hahnemann) — A comunicação há dias dada faz presumir, ao
que parece, acontecimentos muito graves. Poderás dar-nos
algumas explicações a respeito?
Resposta — Não podemos precisar os fatos. O que podemos
dizer é que haverá muitas ruínas e desolações, pois são
chegados os tempos preditos de uma renovação da
Humanidade.
P. — Quem causará essas ruínas? Será um cataclismo?
R. — Nenhum cataclismo de ordem material haverá, como
o entendeis, mas flagelos de toda espécie assolarão as nações;
a guerra dizimará os povos; as instituições vetustas
se abismarão em ondas de sangue. Faz-se mister que o
velho mundo se esboroe, para que uma nova era se abra
ao progresso.
P. — A guerra não se circunscreverá então a uma região?
R. — Não, abrangerá a Terra.
P. — Nada, entretanto, neste momento, parece pressagiar
uma tempestade próxima.
R. — As coisas estão por fio de teia de aranha, meio partido.
P. — Poder-se-á, sem indiscrição, perguntar donde partirá
a primeira centelha?
R. — Da Itália.
Acontecimentos
(Sessão pessoal em casa do Sr. Baudin)
12 de maio de 1856
(Obras Póstumas - Minha primeira iniciação no Espiritismo)
Pergunta (ao Espírito de Verdade) — Que pensas de M...? É homem que
venha a influir nos acontecimentos?
Resposta — Muito ruído. Ele tem boas idéias; é homem de
ação, mas não é uma cabeça.
P. — Dever-se-á tomar ao pé da letra o que foi dito, isto é,
que lhe cabe o papel de destruir o que existe?
R. — Não; pretendeu-se apenas personificar nele o partido
cujas idéias ele representa.
P. — Posso manter com ele relações de amizade?
R. — Por enquanto, não; correrias perigos inúteis.
P. — Dispondo de um médium, diz M... que lhe determinaram
a marcha dos acontecimentos, para, por assim dizer,
uma data fixa. Será verdade?
R. — Sim, determinaram-lhe épocas, mas foram Espíritos
levianos que lhe responderam, Espíritos que não sabem
mais do que ele e que lhe exploram a exaltação. Sabes que
não devemos precisar as coisas futuras. Os acontecimentos
pressentidos certamente se darão em tempo próximo,
mas que não pode ser determinado.
P. — Disseram os Espíritos que os tempos são chegados em
que tais coisas têm de acontecer: em que sentido se devem
tomar essas palavras?
R. — Em se tratando de coisas de tanta gravidade, que são
alguns anos a mais ou a menos? Elas nunca ocorrem bruscamente,
como o chispar de um raio; são longamente preparadas
por acontecimentos parciais que lhes servem como
que de precursores, quais os rumores surdos que precedem
a erupção de um vulcão. Pode-se, pois, dizer que os
tempos são chegados, sem que isso signifique que as coisas
sucederão amanhã. Significa unicamente que vos achais
no período em que se verificarão.
P. — Confirmas o que foi dito, isto é, que não haverá
cataclismos?
R. — Sem dúvida, não tendes que temer nem um dilúvio,
nem o abrasamento do vosso planeta, nem outros fatos
desse gênero, porquanto não se pode denominar cataclismos
a perturbações locais que se têm produzido em todas
as épocas. Apenas haverá um cataclismo de natureza
moral, de que os homens serão os instrumentos.
Precursores da Tempestade
(Grupo do Sr. Golovine; médium: Sr. L...)
Paris, 30 de janeiro de 1866
(Obras Póstumas - Minha primeira iniciação no Espiritismo)
Permiti que um antigo dignitário da Táurida abençoe
vossos dois filhos. Possam eles, sob a égide das respectivas
mães, tornar-se inteligentes em tudo e ser para vós causa
de reais satisfações! Desejo que sejam espíritos convictos,
isto é, de tal modo se saturem da idéia de outras vidas, dos
princípios de fraternidade, de caridade e de solidariedade,
que os acontecimentos, que se precipitarão quando eles
estiverem em idade de consciência e de razão, não os
espantem, nem lhes enfraqueçam a confiança na justiça
divina, em meio das provas por que tem a Humanidade
de passar.
Por vezes, surpreende-vos o azedume com que os vossos
adversários vos atacam. Segundo eles, sois loucos,
alucinados, tomais a ficção pela realidade, ressuscitais o
diabo e todos os erros da Idade Média.
Sabeis que responder a todos os ataques seria travar
uma polêmica sem resultado. O vosso silêncio prova a vossa
força e, se não lhes derdes ocasião de retrucar, acabarão
calando-se.
O imprevisto é o que mais podeis temer. Se se desse
uma mudança de governo, no sentido do mais intolerante
ultramontanismo, certamente seríeis perseguidos, escarnecidos,
condenados, expatriados. Mas, os acontecimentos,
mais fortes que as maquinações em surdina, preparam
no horizonte político um temporal bastante violento e, quando
a tempestade estalar, tratai de estar bem abrigados, de
ser bem fortes e muito desinteressados. Haverá ruínas, invasões,
delimitações de fronteiras e, desse naufrágio imenso,
que virá da Europa, da Ásia, da América, somente escaparão,
ficai sabendo, as almas temperadas, os espíritos
esclarecidos, tudo o que for justiça, lealdade, honra,
solidariedade.
São perfeitas as vossas sociedades, tais quais se acham
organizadas? Tendes aos milhões os vossos párias; a miséria
enche incessantemente as vossas prisões, os vossos lupanares,
e abastece os cadafalsos. A Alemanha assiste, como
em todos os tempos, à emigração de seus habitantes às
centenas de milhares, o que não faz honra aos seus governos;
o Papa, príncipe temporal, espalha o erro pelo mundo,
em vez do Espírito de Verdade, de que ele se constituiu o
emblema artificial. Por toda parte a inveja. Vejo interesses
que se combatem e nenhum esforço pelo erguimento do
ignorante. Os governos, minados por princípios egoístas,
pensam em fortificar-se contra a maré que sobe, maré que
é a consciência humana, que afinal se insurge, após séculos
de expectativa, contra a minoria que explora as forças
vivas das nacionalidades.
Nacionalidades! Que a Rússia não encontre terrível escolho,
um Cabo das Tormentas, nessa palavra. Bem-amado país, não esqueçam os teus homens de Estado que a
grandeza de uma nação não consiste em ter fronteiras indefinidas,
muitas províncias e poucas aldeias, algumas grandes
cidades num oceano de ignorância, imensas planícies,
desertas, estéreis, inclementes como a inveja, como tudo o
que é falso e emite sons falsos. Pouco importa que o Sol
não se esconda sobre as vossas conquistas, nem por isso
haverá menos deserdados, menos ranger de dentes, todo
um inferno ameaçador e de fauces escancaradas como a
imensidade.
As nações, como os governos, têm o livre-arbítrio; como
as simples individualidades, elas sabem dirigir-se pelo amor,
pela união, pela concórdia. Entretanto, fornecerão à
tempestade anunciada elementos elétricos apropriados a
melhor as destruir e desagregar.
Inocente
Em vida, arcebispo da Táurida
A Nova Geração
(Grupo Villon; médium: Sr. G...)
Lyon, 30 de janeiro de 1866
(Obras Póstumas - Minha primeira iniciação no Espiritismo)
A Terra freme de alegria; aproxima-se o dia do Senhor;
todos os que entre nós estão à frente disputam porfiadamente
por entrar na liça. Já o Espírito de algumas valorosas
almas encarnadas agitam seus corpos até quase
despedaçá-los. A carne interdita não sabe o que há de pensar,
desconhecido fogo a devora. Elas serão libertadas, porque
chegaram os tempos. Uma eternidade está a ponto de expirar, uma eternidade gloriosa vai despontar em breve e
Deus conta seus filhos.
O reinado do ouro cederá lugar a um reinado mais
puro; o pensamento será dentro em pouco soberano e os
Espíritos de escol, que hão vindo desde remotas eras iluminar
os séculos em que viveram e servir de balizas aos séculos
vindouros, encarnarão entre vós. Que digo? Muitos se
acham encarnados. A sábia palavra deles será uma chama
destruidora, que causará devastações irreparáveis no seio
dos velhos abusos. Quantos prejuízos antigos vão desmoronar
em bloco, quando o Espírito, como uma acha de
duplo gume, vier decepá-los pelos fundamentos.
Sim, os pais do progresso do espírito humano deixaram,
uns, as suas moradas radiosas; outros, grandes trabalhos,
em que a felicidade se junta ao prazer de instruir-se,
para retomarem o bastão de peregrinos, que apenas
haviam deposto no limiar do templo da Ciência, e daqui a
pouco, dos quatro cantos do globo, os sábios oficiais ouvirão,
apavorados, jovens imberbes a lhes retorquir, numa
linguagem profunda, aos argumentos que eles julgavam
irrefutáveis. O sorriso zombeteiro já não constituirá um
escudo que valha e, sob pena de desmoralização, forçoso
será responder. Então, o círculo vicioso em que se metem
os mestres da vã filosofia mostrar-se-á completamente, porquanto
os novos campeões levam consigo não só um facho,
que é a inteligência desimpedida dos véus grosseiros, senão
também muitos dentre eles gozarão desse estado particular,
que é privilégio das grandes almas, como Jesus, e
que dá o poder de curar e de operar essas maravilhas chamadas
milagres. Diante dos fatos materiais, em que o Espírito se mostra tão superior à matéria, como negar os Espíritos?
O materialismo será abatido em seus discursos por
uma palavra mais eloqüente do que a sua e pelo fato patente,
positivo e averiguado por todos, visto que grandes e
pequenos, novos Tomés, poderão tocar com o dedo.
O velho mundo carcomido estala por toda parte; o velho
mundo acaba e com ele todos esses velhos dogmas, que
só reluzem ainda pelo dourado que os cobre. Espíritos valorosos,
cabe-vos a tarefa de raspar esse ouro falso. Para
trás, vós que em vão quereis escorar o velho ídolo [2]. Atingido
de todos os lados, ele vai ruir e vos arrastará na sua queda.
Para trás, todos vós negadores do progresso; para trás,
com as vossas crenças de uma época que se foi. Por que
negais o progresso e vos esforçais por detê-lo? É que, desejando
sobrepujar, sobrepujar ainda e sempre, condensastes
o vosso pensamento em artigos de fé, clamando para a Humanidade:
“Serás sempre criança e nós que temos a iluminação
do alto, estamos destinados a conduzir-te.”
Mas, já tendes visto ficar-vos nas mãos as andadeiras
da infância; e a criança salta diante de vós e ainda negais
que ela possa caminhar sozinha! Será chicoteando-a com
as andadeiras destinadas a sustentá-la que provareis a
autoridade dos vossos argumentos? Não, e bem o sentis;
mas, é tão agradável, a quem se diz infalível, crer que os
outros ainda depositam fé nessa infalibilidade, em que nem
vós mesmos acreditais!
Ah! que de gemidos não se soltam no santuário! É aí
que, prestando-se ouvido atento, se escutam os cochichos
dolorosos. Que dizeis, então, pobres obstinados? Que a mão
de Deus se abate sobre a sua Igreja? Que por toda parte a imprensa livre vos ataca e pulveriza os vossos argumentos?
Onde estará o novo Crisóstomo [3], cuja potente palavra reduzirá
a nada esse dilúvio de raciocinadores? Em vão o
esperais; nada mais podem as vossas mais vigorosas e mais
conceituadas penas. Elas se obstinam em agarrar-se ao
passado que se vai, quando a nova geração, num impulso
irresistível que a impele para a frente, exclama: Não, nada
de passado; a nós o futuro; nova aurora se ergue e é para lá
que tendem as nossas aspirações!
Avante! diz ela; alargai a estrada, os irmãos nos seguem.
Ide com a onda que nos arrasta; necessitamos do
movimento, que é vida, ao passo que vós nos apresentais a
imobilidade, que é a morte. Os vossos santos mártires absolutamente
não estão mortos, para que lhes imobilizeis o
presente. Eles entreviram a nossa época e se lançaram à
morte como à estrada que havia de conduzi-los lá. A cada
época o seu gênio. Queremos lançar-nos à vida, porquanto
os séculos vindouros, que divisamos, têm horror à morte.
Eis aí, meus amigos, o que os valorosos Espíritos que
presentemente encarnam vão tornar compreensível. Este
século não terminará sem que muitos destroços junquem o
solo. A guerra mortífera e fratricida desaparecerá em breve
diante da discussão; o espírito substituirá a força brutal.
Depois que todas essas almas generosas houverem combatido,
voltarão ao vosso mundo espiritual, para receberem a
coroa do vencedor.
Aí está a meta, meus amigos. Por demais aguerridos
são os campeões, para que seja duvidoso o êxito. Deus escolheu
a nata dos seus combatentes e a vitória é alcançada
para a Humanidade.
Rejubilai-vos, pois, todos vós que aspirais à felicidade
e que desejais participem dela os vossos irmãos, como vós
mesmos: o dia chegou! A Terra trepida de alegria, porquanto
vai assistir ao começo do reinado da paz que o Cristo, o
divino Mestre, prometeu, reinado cujos fundamentos ele
desceu a assentar.
Um Espírito
Regeneração da Humanidade
(Resumo das comunicações dadas pelas Sras. M... e T... em estado sonambúlico)
Paris, 25 de abril de 1866
(Obras Póstumas - Minha primeira iniciação no Espiritismo)
Precipitam-se com rapidez os acontecimentos, pelo
que já não vos dizemos, como outrora: “Aproximam-se os
tempos.” Agora, dizemos: “Os tempos são chegados.” Não
suponhais que as nossas palavras se referem a um novo
dilúvio, nem a um cataclismo, nem a um revolvimento geral.
Revoluções parciais do globo se hão produzido em
todas as épocas e ainda se produzem, porque decorrem da
sua constituição, mas não representam os sinais dos tempos.
Entretanto, tudo o que está predito no Evangelho tem
de cumprir-se e neste momento se cumpre, conforme o
reconhecereis mais tarde [4]. Não tomeis, porém, os sinais
anunciados, senão como figuras, que precisam ser compreendidas
segundo o espírito e não segundo a letra. Todas
as Escrituras encerram grandes verdades sob o véu
da alegoria e, por se terem apegado à letra, é que os
comentadores se transviaram. Faltou-lhes a chave para
lhes compreenderem o verdadeiro sentido. Essa chave está
nas descobertas da Ciência e nas leis do mundo invisível,
que o Espiritismo vem revelar. Daqui em diante, com o
auxílio desses novos conhecimentos, o que era obscuro se
tornará claro e inteligível.
Tudo segue a ordem natural das coisas e as leis imutáveis
de Deus não serão subvertidas. Não vereis milagres,
nem prodígios, nem fatos sobrenaturais, no sentido
vulgarmente dado a essas palavras.
Não olheis para o céu em busca dos sinais precursores,
porquanto nenhum vereis, e os que vo-los anunciarem
estarão a enganar-vos. Olhai em torno de vós, entre os
homens: aí é que os descobrireis.
Não sentis que um como vento sopra sobre a Terra e
agita todos os Espíritos? O mundo se acha na expectativa e
como que presa de um vago pressentimento de que a
tempestade se aproxima.
Não acrediteis, porém, no fim do mundo material. A
Terra tem progredido, desde a sua transformação; tem ainda
que progredir e não que ser destruída. A Humanidade,
entretanto, chegou a um dos períodos de sua transformação
e o mundo terreno vai elevar-se na hierarquia dos mundos.
O que se prepara não é, pois, o fim do mundo material,
mas o fim do mundo moral. É o velho mundo, o mundo dos
preconceitos, do orgulho, do egoísmo e do fanatismo que se
esboroa. Cada dia leva consigo alguns destroços. Tudo dele
acabará com a geração que se vai e a geração nova erguerá
o novo edifício, que as gerações seguintes consolidarão e
completarão.
De mundo de expiação, a Terra se mudará um dia em
mundo ditoso e habitá-lo será uma recompensa, em vez de
ser uma punição. O reinado do bem sucederá ao reinado do
mal.
Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso se
faz que somente a povoem Espíritos bons, encarnados e
desencarnados, que unicamente ao bem aspirem. Como já
chegou esse tempo, uma grande emigração neste momento
se opera entre os que a habitam. Os que praticam o mal pelo mal, alheios ao sentimento do bem, dela se verão excluídos,
porque lhe acarretariam novamente perturbações
e confusões que constituiriam obstáculo ao progresso. Irão
expiar o seu endurecimento em mundos inferiores, aos quais
levarão os conhecimentos que adquiriram, tendo por missão
fazê-los adiantar-se. Substituí-los-ão na Terra Espíritos
melhores que farão reinem entre si a justiça, a paz, a
fraternidade.
A Terra, dissemo-lo, não será transformada por um
cataclismo que aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá
gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo
modo, sem que haja mudança na ordem natural das coisas.
Tudo, pois, exteriormente, se passará como de costume,
com uma única diferença, embora capital: a de que
uma parte dos Espíritos que nela encarnam não mais
encarnarão. Em cada criança que nasça, em lugar de um
Espírito atrasado e propenso ao mal, encarnará um Espírito
mais adiantado e propenso ao bem. Trata-se, portanto,
muito menos de uma nova geração corporal, do que de uma
nova geração de Espíritos. Assim, desapontados ficarão os
que contem que a transformação resulte de efeitos sobrenaturais
e maravilhosos.
A época atual é a da transição; os elementos das duas
gerações se confundem. Colocados no ponto intermédio,
assistis à partida de uma e à chegada da outra, e cada uma
já se assinala no mundo pelos caracteres que lhe são
próprios.
As duas gerações que sucedem uma à outra têm idéias
e modos de ver inteiramente opostos. Pela natureza das
disposições morais, porém, sobretudo pelas disposições intuitivas e inatas, torna-se fácil distinguir à qual das duas
pertence cada indivíduo.
Tendo de fundar a era do progresso moral, a nova geração
se distingue por uma inteligência e uma razão, em
geral, precoces, juntas ao sentimento inato do bem e das
crenças espiritualistas, o que é sinal indubitável de certo
grau de adiantamento anterior. Não se comporá tão-só de
Espíritos eminentemente superiores, mas de Espíritos que,
já tendo progredido, estão predispostos a assimilar as
idéias progressistas e aptos a secundar o movimento
regenerador.
O que, ao contrário, distingue os Espíritos atrasados
é, primeiramente, a revolta contra Deus, pela negação da
Providência e de qualquer poder acima da Humanidade;
depois, pela propensão instintiva para as paixões degradantes,
para os sentimentos antifraternais do orgulho, do
ódio, do ciúme, da cupidez, enfim, a predominância de
apego a tudo o que é material.
Desses vícios é que a Terra tem de ser expurgada pelo
afastamento dos que recalcitram em emendar-se, visto que
são incompatíveis com o reino da fraternidade e os homens
de bem sofreriam sempre com o contacto dessas criaturas.
Livre deles a Terra, os outros caminharão desembaraçadamente
para o futuro melhor, que lhes está reservado neste
mundo, em recompensa de seus esforços e da sua perseverança,
enquanto uma depuração ainda mais completa não
lhes abre o pórtico dos mundos superiores.
Com referência a essa emigração de Espíritos, ninguém
pretenda que todos os Espíritos retardatários serão expulsos
da Terra e relegados para mundos inferiores. Muitos, ao contrário, aí hão de voltar, porque muitos cederão ao
império das circunstâncias e do exemplo; neles, a casca
está mais estragada do que o cerne. Uma vez subtraídos à
influência da matéria e dos prejuízos do mundo corporal,
eles, em sua maioria, verão as coisas de maneira inteiramente
diversa da que as viam quando vivos, conforme os
numerosos casos que já tendes apreciado. Para isso, terão
a ajudá-los os Espíritos bons, que por eles se interessam e
que se esforçam por esclarecê-los e por lhes mostrar que
errado era o caminho que trilhavam. Pelas vossas preces e
exortações, podeis contribuir muito para que se melhorem,
porque há perpétua solidariedade entre os mortos e os vivos.
Aqueles, conseguintemente, poderão voltar e se sentirão
felizes, porque isso lhes será uma recompensa. Que
importa o que tenham sido e feito, se animados de melhores
sentimentos se encontram? Longe de se mostrarem
hostis à sociedade, serão seus auxiliares úteis, porquanto
pertencerão à geração nova.
Não haverá, pois, exclusão definitiva, senão dos Espíritos
substancialmente rebeldes, daqueles que o orgulho e o
egoísmo, mais do que a ignorância, tornaram surdos aos apelos
do bem e da razão. Esses mesmos, porém, não estarão
votados a perene inferioridade. Dia virá em que repudiarão
o passado e abrirão os olhos para a luz.
Assim, orai por esses endurecidos, a fim de que se
emendem enquanto ainda é tempo, visto que se aproxima o
dia da expiação.
Infelizmente, a maioria, desconhecendo a voz de Deus,
persistirá na sua cegueira e a resistência que virá a opor
mascarará, por meio de terríveis lutas, o fim do reinado dos que a constituem. Desvairados, correrão à sua própria
perda; provocarão destruições que darão origem a um sem-número de flagelos e de calamidades, de sorte que, sem o
quererem, apressarão o advento da era de renovação.
E, como se não se operasse com bastante rapidez a
destruição, os suicídios se multiplicarão em proporções
inauditas, até entre as crianças. A loucura jamais terá atingido
tão grande quantidade de homens que, antes mesmo
de morrerem, estarão riscados do número dos vivos. São
esses os verdadeiros sinais dos tempos e tudo isso se
cumprirá pelo encadeamento das circunstâncias, como já
o dissemos, sem que haja a mais ligeira derrogação das leis
da Natureza.
Contudo, através da escura nuvem que vos envolve e
em cujo seio ronca a tempestade, já podeis ver despontando
os primeiros raios da era nova. A fraternidade lança seus
fundamentos em todos os pontos do globo e os povos estendem
uns aos outros as mãos; a barbárie se familiariza
no contacto com a civilização; os preconceitos de raças e de
seitas, que causaram o derramamento de ondas de sangue,
se vão extinguindo; o fanatismo, a intolerância perdem terreno,
ao passo que a liberdade de consciência se introduz nos
costumes e se torna um direito [5]. Por toda parte fermentam
as idéias; percebe-se o mal e experimentam-se remédios
para debelá-lo, mas muitos caminham sem bússola e se
perdem em utopias. O mundo se acha empenhado num
imenso trabalho de gestação que já dura há um século;
nesse trabalho, ainda confuso, nota-se, todavia, que predomina
a tendência para determinado fim: o da unidade e
da uniformidade, que predispõem à confraternização.
Também aí tendes sinais dos tempos. Mas, enquanto
que os outros são os das agonias do passado, estes últimos
são os primeiros vagidos da criança que nasce, os precursores
da aurora que o próximo século verá despontar, pois
que então a geração nova estará em toda a sua pujança.
Tanto a fisionomia do século dezenove difere da do décimo
oitavo, sob certos pontos de vista, quanto a do vigésimo
diferirá da do século dezenove, sob outros pontos de vista.
A fé inata será um dos caracteres distintivos da nova
geração, não a fé exclusiva e cega que divide os homens,
mas a fé raciocinada, que esclarece e fortifica, que os une e
confunde num sentimento comum de amor a Deus e ao
próximo. Com a geração que se extingue desaparecerão os
últimos vestígios da incredulidade e do fanatismo, igualmente
contrários ao progresso moral e social.
O Espiritismo é a senda que conduz à renovação, porque
destrói os dois maiores obstáculos que se opõem a essa
renovação: a incredulidade e o fanatismo [6]; porque faculta
uma fé sólida e esclarecida; desenvolve todos os sentimentos
e todas as idéias que correspondem aos modos de ver
da nova geração, pelo que, no coração dos representantes
desta, ele se achará inato e em estado de intuição. Assim,
pois, a era nova vê-lo-á engrandecer-se e prosperar pela
força mesma das coisas. Tornar-se-á a base de todas as
crenças, o ponto de apoio de todas as instituições.
Mas, daqui até lá, que de lutas terá ainda de sustentar
contra os seus dois maiores inimigos: a incredulidade e o
fanatismo que — coisa singular! — se dão as mãos para
abatê-lo. É que os dois lhe pressentem o futuro e, em conseqüência,
a ruína de ambos. Essa a razão por que o temem; já o vêem erguendo, sobre os destroços do velho
mundo egoísta, a bandeira em torno da qual se reunirão
todos os povos. Na divina máxima: Fora da caridade não há
salvação, eles lêem a sua própria condenação, porquanto
essa máxima é o símbolo da nova aliança fraternal proclamada
pelo Cristo. Ela se lhes apresenta como as palavras
fatais do festim de Baltazar [7]. Entretanto, deveriam bendizer
essa máxima, porquanto os defende de todas as represálias
da parte dos que os perseguem. Tal, porém, não se dá: uma
força cega os impele a rejeitar a única coisa capaz de salvá-los.
Que poderão contra o ascendente da opinião que os repudia?
O Espiritismo sairá triunfante da luta, ficai certos,
porquanto ele está nas leis da Natureza, não podendo, por
isso mesmo, perecer. Observai a multiplicidade de
meios por que a idéia se espalha e penetra em toda parte;
crede que esses meios não são fortuitos, mas providenciais.
O que, à primeira vista, devera ser-lhe prejudicial é exatamente
o que lhe auxilia a propagação.
Dentro em breve, surgirão campeões que em voz alta
se proclamarão tais, entre os de maior consideração e mais
acreditados, os quais, com a autoridade de seus nomes e
de seus exemplos o apoiarão, impondo silêncio aos que o
detratem, pois ninguém ousará tratá-los de loucos. Esses
homens o estudam em silêncio e aparecerão quando for
chegado o momento oportuno. Até lá, bom é se conservem
afastados.
Dentro em pouco, também vereis as artes se acercarem
dele, como de uma mina riquíssima, e traduzirem os
pensamentos e os horizontes que ele patenteia, por meio
da pintura, da música, da poesia e da literatura. Já se vos
disse que haverá um dia a arte espírita, como houve a arte pagã e a arte cristã. É uma grande verdade, pois os maiores
gênios se inspirarão nele. Em breve, vereis os primeiros
esboços da arte espírita, que mais tarde ocupará o lugar
que lhe compete.
Espíritas, o futuro é vosso e de todos os homens de
coração e devotados. Não vos assustem os obstáculos, porquanto
nenhum há que possa embaraçar os desígnios da
Providência. Trabalhai sem descanso e agradecei a Deus o
ter-vos colocado na vanguarda da nova falange. É um posto
de honra que vós mesmos solicitastes e do qual é preciso
vos mostreis dignos pela vossa coragem, pela vossa perseverança
e pelo vosso devotamento. Felizes dos que sucumbirem
nessa luta contra a força; a vergonha, ao contrário, esperará,
no mundo dos Espíritos, os que sucumbirem por
fraqueza ou pusilanimidade. As lutas, aliás, são necessárias
para fortalecer a alma; o contacto com o mal faz que melhor
se apreciem as vantagens do bem. Sem as lutas, que
estimulam as faculdades, o Espírito se entregaria a uma
despreocupação funesta ao seu adiantamento. As lutas contra
os elementos desenvolvem as forças físicas e a inteligência;
as lutas contra o mal desenvolvem as forças morais.
Acontecimentos
(Sociedade de Paris; médium: Sr. D...)
16 de agosto de 1867
(Obras Póstumas - Minha primeira iniciação no Espiritismo)
A sociedade em geral, ou, a bem dizer, a reunião de
seres, tanto encarnados como desencarnados, que compõem
a população flutuante de um mundo, numa palavra
— a Humanidade —, mais não é que uma grande criança
coletiva que, como todo ser dotado de vida, passa por todas
as fases que se sucedem em cada um, desde o nascimento
até a mais avançada idade. Do mesmo modo que o desenvolvimento
do indivíduo é acompanhado de certas perturbações
físicas e intelectuais, peculiares, particularmente, a
determinados períodos da vida, também a Humanidade tem
suas crises de crescimento, seus transtornos morais e intelectuais.
Atravessais uma dessas grandes épocas, que encerram um período e dão começo a outro. Participando simultaneamente
das coisas do passado e das do futuro, dos
sistemas que ruem e das verdades que se fundam, tende o
cuidado, meus amigos, de colocar-vos do lado da solidez,
da progressividade e da lógica, se não quiserdes ser arrastados
ao sabor das ondas [8]; tende o de abandonar palácios
suntuosos na aparência, mas vacilantes em suas bases e que
não tardarão a sepultar nas suas ruínas os infelizes que
insensatamente não quiserem deles sair, a despeito dos
avisos de toda sorte que lhes são prodigalizados.
Todas as frontes se anuviam e a calma aparente de
que gozais apenas serve para acumular maior quantidade
de elementos destruidores.
Algumas vezes, antes da tempestade que destrói os frutos
dos suores de um ano, surgem precursores que permitem
se tomem as precauções necessárias a evitar, tanto
quanto possível, as devastações. Desta vez, assim não será.
Parecerá que o céu, depois de estar sombreado, se aclara;
as nuvens fugirão; em seguida, de súbito, todos os furores,
por longo tempo comprimidos, se desencadearão com
inaudita violência.
Ai dos que não hajam preparado para si um abrigo! Ai
dos fanfarrões que forem ao encontro do perigo com o braço
desarmado e o peito descoberto! Ai dos que afrontarem o
perigo empunhando a taça! Que terrível decepção os espera!
A taça que empunham não lhes chegará aos lábios, antes
que eles sejam atingidos!
À obra, pois, espíritas, e não esqueçais que todos deveis ter
prudência e previdência. Tendes um escudo, sabei
servir-vos dele. Tendes uma âncora de salvação, não
a desprezeis.
Acontecimentos
(Comunicação íntima dada ao Sr. C..., médium)
Paris, 23 de fevereiro de 1868
(Obras Póstumas - Minha primeira iniciação no Espiritismo)
Ocupa-te desde já com o trabalho que tens esboçado
sobre os meios de seres um dia útil aos teus irmãos em
crença e de servires à causa da Doutrina, porque será possível
que os acontecimentos que se desenrolarão não te
deixem lazeres bastantes para te consagrares ao referido
trabalho.
Palavras de Esperança
(extraído do Romance Espírita "Entre Dois Mundos" da médium Antoinette Bourdin)
...Minha mãe, minha mãe, que grande passo dará a Humanidade quando conhecer os seus destinos! Mas, para isso, é preciso que a Terra entre numa fase nova de progresso, cujo advento se aproxima. Como que vejo os anjos encarregados de o anunciar: belos e poderosos, trazem mancheias de revelações maravilhosas. Derrubarão os ídolos [10] e servir-se-ão dos simples e dos humildes para fazer brilhar uma ciência que confundirá os mais presunçosos e esclarecidos.
Notas: [1] - Como complemento de estudo, ler também
Os Tempos são chegados. [2] - Alusão ao texto contido no livro de Daniel cap. 2. [3] - São João Crisóstomo, viveu de 349 a 407 e, por causa de sua inflamada retórica, ficou conhecido como a "Boca de Ouro" do
Cristianismo.
[4] - Ler, entre outras passagens, o cap. 24 do livro de Mateus.
[5] - Talvez pudesse parecer ao leitor que haja um pouco de excesso de otimismo de nossa parte com relação à nossa constatação da evidente reforma moral da Humanidade. Algumas pessoas parecem enxergar, pelo contrário, uma degradação moral do homem. A fim de tentar persuadí-las do contrário, ilustraremos dois quadros de um mesmo local, mas pintado em duas épocas diferentes: "Os guilhotinamentos eram verdadeiros espetáculos populares. A multidão, desprovida de circos, de estádios, de qualquer outro lazer, transformou a freqüência à praça do cadafalso num programa patriota e familiar. E na mesma França, mas dessa vez no século XX, temos que: Eugen Weidmann, nascido em 5 de fevereiro de 1908 em Frankfurt (Alemanha), morto em 17 de Junho de 1939 em Versalhes (França), foi um criminoso alemão, célebre por ter sido a última pessoa a ser guilhotinada em público na França. Repare o leitor que no primeiro quadro, que chamaríamos de pré-regeneração, no fim do século XVIII, existia uma espécie de prazer sinistro no sofrimento alheio, e as execuções eram feitas em público para o deleite do povo com respaldo legal. Cento e quarenta anos mais tarde, contudo, a população desse mesmo país, constituída de elementos novos, já não mais tolerava assistir esse tipo de espetáculo bárbaro. Mais tarde a nova população desse mesmo país não toleraria sequer que esse tipo de barbarismo fosse feito, mesmo longe das vistas. Isso é, sem dúvida, um sinal claro de melhoria moral, e poderíamos citar muitos outros exemplos como esse. Repare também o leitor que nos dois casos estamos nos referindo à violência legal, e não àquela violência que ocorre fora da lei. [6] - Ver nota [11]. [7] - O Festim de Baltazar é uma alusão a um trecho bíblico em Daniel cap. 5.
[8] - Recentemente fizemos uma pesquisa na Tribuna de Petrópolis do ano de 1941, à procura de um assunto relacionado à nossa família, e, embora não encontrássemos o que procurávamos, encontramos dois articulistas, dividindo o mesmo espaço semanal da primeira página (em dias da semana diferentes), com a mesma publicidade, e que representavam a oposição das ideias a que se referiu a comunicação de 16 de agosto de 1867. Citamo-las abaixo para comparação, mantendo a mesma forma de português escrito daquela época, e o leitor não terá dificuldades em saber qual delas representa o futuro que nasce e qual delas representa o passado que foi aniquilado. A Utopia dos Super-homens Observação: o articulista não devia ser profundo conhecedor dos filósofos que citou, senão saberia que o conceito do super-homem que ele criticava no artigo teve a sua origem justamente em Nietzsche que, com a sua anti-moral, foi uma das principais fontes de inspiração dos nazistas. Mas mesmo assim é válida a intenção do artigo. Educação Sexual e Defesa da Próle [9] - Na Revista Reformador, publicado pela FEB, edição de 16 de julho de 1915, pág. 227, quando já estava em curso a 1a Guerra Mundial, encontramos o anúncio da tradução e da publicação desta obra (que se mantém até os dias atuais), assim como a transcrição do trecho que reproduzimos. O anúncio dizia: A VINDA DO CHRISTO para a seguir transcrever o mesmo trecho que reproduzimos (que extraímos da edição mais moderna do livro). Apesar de não pertencer à Codificação Espírita, publicamos aqui por causa da forte semelhança com as dissertações e conversas anteriores de Kardec com os espíritos, e para mostrar que a ideia estava sendo revelada a diversas pessoas em vários lugares, o que evidencia a universalidade da revelação a respeito da Chegada dos Tempos. Não encontramos referências a essa médium em nenhuma parte das obras de Kardec, incluindo a Revista Espírita.
[10] - Quando o culto de Deus é o primeiro conceito supremo a que alguém subordina os seus deveres e, por conseguinte, a ele se submete a virtude, então este objeto é um ídolo, ou seja, Deus é concebido como um ser a quem podemos esperar agradar, não mediante um bom comportamento moral no mundo, mas pela adoração e adulação. Neste caso, a religião torna-se idolatria. (Immanuel Kant - Religião nos limites da simples razão, 1793)
[11] - A ilusão, consistindo em acreditar que pelos atos religiosos do culto se pode fazer alguma coisa para a própria justificação perante Deus, é a superstição religiosa. De igual modo, o fanatismo religioso consiste na ilusão de atingir esse objetivo mediante o esforço para ter um pretenso comércio com Deus. Querer tornar-se agradável a Deus por atos que cada um pode realizar sem ser por isso um homem de bem (por exemplo, professando dogmas estatutários, conformando-se às observâncias e à disciplina da Igreja, etc.) é uma ilusão supersticiosa. Chama-se supersticiosa porque escolhe por si mesma simples meios naturais (em nada morais) que em si não podem de modo algum agir sobre o que não é da natureza (ou seja, o bem moral). (Immanuel Kant - Religião nos limites da simples razão, 1793)
Esses próprios acontecimentos darão lugar a fases durante
as quais o pensamento humano poderá produzir-se
com absoluta liberdade. Nesses momentos, os cérebros em
delírio, baldos de qualquer orientação sã, gerarão enormidades
tais, que a notícia do próximo aparecimento da besta
do apocalipse a ninguém espantaria e passaria despercebida.
A imprensa vomitará todas as loucuras humanas, até
se esgotarem as paixões a que ela terá dado nascimento.
Semelhante época será favorável aos espíritas. Eles se
arregimentarão, prepararão seus materiais e suas armas.
Ninguém pensará em molestá-los, por isso que eles a ninguém
causarão embaraço. Serão os únicos discípulos do
Espírito, os outros serão discípulos da matéria.
França, 1874 - traduzido para o português publicado pela FEB em 1915 [9]
O que agora vejo, a todos será revelado; e o que vulgarmente se chama o fim dos tempos, é o julgamento final. Não mais temais, habitantes da Terra, de ouvir essas palavras, porque o fim dos tempos só chegará para as trevas da ignorância, para a fé cega, para a superstição [11], para os preceitos vazios.
Diz o Evangelho: "Chegados os tempos, vereis o sinal dos céus, vossas mulheres e vossas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos." O juízo final é a revelação das coisas ignoradas até esse dia, e que aliás ensinadas foram em parábolas.
É o reinado do Espírito anunciado e predito pelo Cristo, desse Espírito, do qual foi dito que "os pecados contra Ele não seriam remidos neste nem no século seguinte, pois de si se dará tão grandes provas, que a dúvida não seria mais uma falta de fé, mas uma renúncia completa à verdade e à razão.
Esse reinado mostrará a luz, iluminará os sábios e cegará os que tiverem olhos e não quiserem ver; será o último reinado que facilite o regresso ao bem, recebendo cada qual ensinamentos e conselhos por inspiração própria ou por intérpretes dos anjos, escolhidos no seio mesmo das famílias.
Assim, a criança em tenra idade dirá coisas surpreendentes e os velhos a ouvirão, como outrora os doutores da lei ouviam o Cristo de doze anos.
Moisés reconduziu a Humanidade à senda do trabalho e estabeleceu as leis da família; depois, veio Jesus despertar as virtudes mais altas e mais santas, que jaziam latentes nos corações: - a caridade, a solidariedade. Aos sofrimentos, antes julgados como sinais de maldição, estabeleceu uma recompensa e um mérito. Sem derrogar a lei moral, sem condenar o passado, a um e outro lhes fez dar um passo adiante, dizendo: - "O Espírito vos ensinará todas as coisas."
E, num dia memorável nos anais do mundo, fez um esboço das maravilhas do seu reino: - a legião de Espíritos que o secundavam em sua missão veio confirmar suas promessas, manifestando-se no seio de um assembleia numerosa, que vira e ouvira o que o Messias anunciara para o reinado do Espírito.
E todo o povo foi tocado de deslumbramento e admiração.
Receiam eles que as revelações sejam acolhidas com ironia e desdém; oram e estudam, e, a cada dia que passa, veem germinar nas almas o fruto do seu labor, nas almas que definham na dúvida ou na tristeza.
Eis o que aguarda a Humanidade, o sinal dos tempos já começou a ser dado - homens que pressentiram os primeiros pródromos dessa Nova Era, caminham a passos lentos, sim, mas com prudência, nesse plano.
Os anjos do tempo de Moisés e do Cristo preparam-se para reaparecer aos homens e os guiar. Haviam-se afastado, ou antes, tornado invisíveis, para que a fé humana despertasse e os seus anelos se estimulassem na necessidade de os tornar a ver, a esses amigos. Eles responderão ao apelo dos homens, e, à medida que a confiança crescer no coração destes, as provas aumentarão na existência daqueles.
Minha mãe, com tenho diante dos olhos o quadro do futuro! Que série ininterrupta de acontecimentos! Tudo marcha a passos largos: as guerras desastrosas se precipitam, quais monstros esfomeados; mas é passando e devastando que elas se precipitarão no abismo que as há de tragar e aniquilar para sempre, assim como essas nuvens que fogem, chicoteadas pelo vento, semeando a desolação e o terror!
Mas não se atemorizem os terrícolas dos flagelos que hão de vir, porque também esses hão de passar. Mas, fiquem certos, também, de que mais terríveis seriam eles, se mais lentos caminhassem.
Fonte:
1. KARDEC, A. Obras Póstumas, Minha primeira iniciação no Espiritismo, Rio de Janeiro: FEB, 2006.
2. BOURDIN, A. Entre Dois Mundos, cap. VII, págs. 35 a 37, Rio de Janeiro: FEB, 2006.
(Clique nos números das notas para encontrar a localização do texto que gerou a nota)
Na França do fim do século XVIII temos que:
De certa forma o cenário inteiro, a prisão dos suspeitos, a denúncia sem provas, as vítimas expostas à execração pública, seguida da profanação dos corpos lembravam muito aos autos-de-fé dos tempos da Inquisição católica.
As crianças eram erguidas sobre os ombros para que vissem o estertor dos inimigos da revolução. Bem perto da máquina ficavam as tricoteuses, as tricoteiras, mulheres envoltas em linhas e agulhas que, próximo das vítimas, as injuriavam. Exultavam com o olhar de desespero dos adversários quando contemplavam aquela porta-sem-batente, aquela magnífica exatidão das paralelas, a impecável geometria, armada por um triângulo negro, carrancuda, gotejando sangue em seu gume, exigindo justiça social." (grifo nosso)
Fonte:
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/guilhotina2.htm (consultado em 03/10/2009)
Ele foi julgado culpado do assassinato de seis pessoas, todas mortas com um tiro na nuca...
Ele foi guilhotinado em Versalhes, na via pública, no exterior da prisão Saint-Pierre, como era comum até então. O comportamento dos espectadores durante a execução tendo sido julgado «histérico», o presidente da República Albert Lebrun convenceu o governo da época a proceder às execuções no interior da prisão onde se encontra o condenado à morte, longe das possíveis «emoções populares». (grifo nosso)
A utilização da guilhotina para execuções «privadas» continuou, mas cada vez mais raras, até o 10 de Setembro de 1977, quando foi executado Hamida Djandoubi. Finalmente, a pena de morte foi abolida na França em 30 de Setembro de 1981, através de decreto do presidente François Mitterrand.
Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Eugen_Weidmann (consultado em 03/10/2009)
Eis o primeiro artigo, publicado na edição de quinta-feira, 8 de maio de 1941:
Super-homens foram e são os grandes sabios da humanidade que com o genio de suas invenções e de seus pensamentos cooperaram para o progresso e para a paz do nosso mundo. Super-homens não podem ser os que trazem a morte, a destruição, a peste e a fome para a humanidade. Está muito desmoralizado esse título nobre que se deve dar apenas aos grandes servidores da historia. Um campeão de box, um jogador de football ou um tennista e nadador, ou um soldado valente não são individuos que mereçam tanta gloria. É muito commum se ouvir dizer que os allemães de Hitler são super-homens. Porque são fanáticos guerreiros? Ora si a Allemanha tem de se orgulhar de seus filhos certamente não será por esses que hoje se destacam na actual avalanche mortífera. O futuro da Allemanha não se glorificará com os patrocinadores de tão tragicos desastres e sim com os vultos dos seus filhos da cathegoria de Goethe, Kant, Schpenhauer, Nietzsche e outros. Com estes sem dúvida a nação se eternizará no decorrer dos séculos, com aquelles o destino será sempre uma dolorosa interrogação. Há muita diferença entre super-homens e super-fascinoras. Napoleão conquistou quasi a Europa inteira. E depois? - Sobreveio a mais dramatica miseria. O valor das grandes iniciativas não se mede pelos resultados imediatos que proporcionam e sim pelo grau de perpetuidade que trazem para a segurança e para o bem dos homens.
Os allemães vinham se preparando para a guerra ha longos annos enquanto todos os outros povos só se preocupavam com o desenvolvimento de suas proprias riquezas. Naturalmente levaram grande vantagem sobre os povos que atacaram, pois estes estavam bellicamente desprevenidos. Em igualdade de condições não é crível que se mantenham nessa superioridade. Aliaz já temos observado essa verdade na propria tentativa de invasão das ilhas britanicas.
Porque o mundo haverá de prestar homenagens a quem implantou o regime da carnificina nesse planeta? Os mais justos tributos devem receber aquelles grandes philosophos e scientistas germanicos que só pensaram no progresso humano. Si os inglezes vencerem esta guerra, elles não serão aplaudidos pelo valor guerreiro de seus soldados e sim pelo grau de respeito que dedicam aos mais rigorosos principios de humanidade, condições essenciaes para a paz, a justiça e a liberdade entre os homens.
Paulo Alberto
Fonte: Tribuna de Petrópolis de 8/5/1941
Eis o segundo artigo, publicado na edição de sábado, 10 de maio de 1941 (dois dias após o artigo acima):
(Serviço especial do Circuito Brasileiro de Educação Sexual)
Zela mais a criatura humana a reprodução de seus animaes, que a sua propria. Não permite, por exemplo, que seus cavallos ou seus cães, se acasalem com outros de raças ou de condições inferiores, e no entanto se casam com individuos de quem não exigem credenciaes eugenicas. Ainda mais; procura o ser humano aprimorar a raça de seus animaes, cruzando-os com outros de qualidade superior, para tornar o producto mais apto, mais capaz, etc. e no entanto deixa á mercê da sorte a sua propria procreação.
Mas, não só com referencia á especia animal, mas tambem com relação á vegetal, constitue objecto de sérias e profundas preoccupações suas, a reprodução de seus especimens.
Em toda parte, como se vê, se nota na criatura humana interesse de apromorar as qualidades dos vegetaes e animaes que lhe pertencem, só não succedendo o mesmo, quando se trata da reprodução da especie humana!
Resulta dahi que os casaes ao procrearem, geram não poucas vezes, filhos monstruosos, degenerados, verdadeiras aberrações humanas, e isto porque não foram avisados em tempo dos perigos que poderiam advir para a prole, dum casamento realisado ás cégas, sem o beneplacito da sciencia.
Habituados na mór parte das vezes a lêr livros de romances e novellas, onde o destino biologico das proles não é tratado, senão excepcionalmente, os individuos se casam, procurando acobertar apenas a futura familia das necessidades economicas, não sabendo que tambem é sua missão acobertal-a, do perigo das doenças, de que sejam portadores.
Que nos livros de romances, de contos e de novellas, onde o casamento é apresentado na mór parte das vezes envolvido num manto diaphano de phantasia, os escriptores o apresentem sob um aspecto mais realista, de modo a poderem identificar os seus leitores com os quadros, muita vez desoladores, que se verificam na intimidade de muitos lares, por falta de zelo dos conjuges por ocasião do casamento, é o appello que nesse momento lanço a todos aquelles que vivem da penna, e que estão na obrigação implicita de a orientarem em todos os sentidos, para que não seja focalisado apenas o aspecto unilateral de um assumpto multifacetado como este.
Dr. José de Albuquerque.
Fonte: Tribuna de Petrópolis de 10/5/1941
A propósito deste extraordinário advento, em espírito e verdade, antecipamos aos leitores um trecho do notável romance espírita Entre Dois Mundos, que a Federação poz em vernáculo e se acha no prélo. Dictado, na França, em 1872, impresso em 74 e traduzido antes da guerra, provocam admiração as suas prophecias, algumas já realizadas, taes como a conflagração, a questão social, as quedas de thronos, o reerguimento da consciencia, e também a chegada dos tempos e do juízo final, isto é: do fim da ignorancia. Ei-lo:..."
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